Serinus canarius

Esse video e mais uma prova da capacidade dos canarios como eximios passaros canoros, colocando a especie ao lado de grandes canoros silvestres.




video


fonte : http://www.youtube.com/watch?v=oS5YtyzEtgQ&list=HL1371992743

GAIOLAS PARA TREINAMENTO E CONCURSO DO CANARIO TIMBRADO

      
         As gaiolas de concurso estão pensadas para retirar o máximo do potencial de canto do canário. Trata-se assim de uma gaiola de pequena dimensão, porque o objetivo é que o pássaro se foque acima de tudo no seu canto e se distraia o mínimo possível. A julgar pela alegria e frequência com que cantam nestas gaiolas, nada faz crer que se sintam incomodados com esse facto. De qualquer modo, o tempo que permanecem nestas gaiolas deve ser o estritamente necessário para a preparação e realização dos concursos. Assim, logo que possível, devem regressar às voadoras para que se possam exercitar à vontade.




HISTORIA DO CANARIO TIMBRADO

                         

                         HISTORIA DO TIMBRADO ESPANHOL 




 A origem da nossa raça remonta ao momento misto em que se começou a trazer  canário silvestre para Espanha, concretamente para  Castilla, entre finais do século XIV e princípios de XV. O principal atractivo do canário silvestre era o seu canto e neste aspecto é de supor que a sua seleção se reporta  desde os inícios da sua criação em cativeiro.
Poucos dados dispomos acerca dos primeiros canários domésticos, mas com o  tempo e, supondo, com uma seleção dos cantores mais aptos, se conseguiu um tipo de canários com grande valor para o canto e que se passou a chamar  canário do  País. Algumas zonas são citadas como focos de criação mais importantes, entre elas Andaluzia, Astúrias e Catalunha. Especialmente famosos foram os canários da localidade catalã de Vich, que são descritos  como aqueles  " que mais  mérito de canto tinham fora das nossas  fronteiras,  por não emitirem notas desagradáveis mas  sim, muitas  variações bem vocalizadas e moduladas, com um repertório contrastado de tonalidades diversas, no qual (...) expressavam estrofes completas do canto do rouxinol emitidas com discreta sonoridade e  delicados tons de voz".
O  canário do  País esteve  a ponto de desaparecer devido a uma serie de causas, as principais foram:
1. O aparecimento em Espanha dos primeiros canários rizados importados, que foram cruzados com os "del País" para buscar características anatómicas mais próximas  dos canários de postura (principalmente aumento de tamanho).
2. O auge do  canário  Roller, fez com que  a maior parte dos escassos exemplares puros "del País" que restavam fossem cruzados.
3. A Guerra Civil Espanhola e suas desastrosas consequências.
4. Para alguns autores também diminuiu o plantel de criadores com o êxito que alcançaram os canários de "factor vermelho".
Nos anos quarenta um grupo de aficionados madrilenos propôs-se a recuperar a antiga raça “del País”. O fruto do seu trabalho foi que em 1950, se confeccionasse, baseado no do canário Roller, o primeiro Código de Canto. Em 1954 a Associação de Canaricultores Espanhóis elaborou um novo Código de Canto e  baptizou a raça com o nome de Timbrado Espanhol.
O seguinte passo foi solicitar o  reconhecimento internacional da raça, que aconteceu no ano de  1956, pela ocasião do  "IV Campeonato Mundial da C.I.C.", realizado em  Barcelona. O resultado não podo ser mais decepcionante: a comissão encarregada de avaliar a nova raça rejeitou o seu reconhecimento internacional por considerá-la o resultado não apurado  dos cruzamentos com o canário Roller.
Foi em Bruxelas, no ano de 1962, no decorrer  do "X Campeonato Mundial da C.O.M.", e a pedido da A.C.E., quando por fim se reconheceu internacionalmente o Timbrado Espanhol.
Muito se tem avançado desde então e numerosos tem sido os Códigos de Canto e fichas de julgamento que tem sucedido; mostra de uma inequívoca firmeza  e  interesse despertado pelo  canário de Canto Timbrado Espanhol entre a sua claque espanhola.

O  CANÁRIO TIMBRADO ESPANHOL

No conceito técnico de canto Timbrado Espanhol que se expõe neste Código, indica-se qual é a  base em que  deve estar apoiado este tipo de canto, o que o torna diferente das outras variedades do mesmo tipo, e de uma forma geral, de suas características técnicas, tanto do ponto de vista das qualidades principais dos sons que devem formar os  giros e notas, como das características musicais da canção que se devem compor os seus giros.
Esta definição será o ponto de referencia no caso de qualquer duvida que tenha o  juiz num  julgamento,  na  avaliação da qualidade dos  exemplares,  quando se encontre a julgar canários das diferentes linhas de canto "Timbrado" que se criam.
Os giros emitidos pelo canário de canto "Timbrado Espanhol" deverão de ter as seguintes características fundamentais:
O  tom  geral dos mesmos deve com prender um amplo registo tonal, sem que este canário tenha que especializar-se num determinado tipo de tono, tal como sucede nas  outras variedades de canto que existem na actualidade. Em atenção ao aqui exposto não se consideram  exemplares de primeira categoria aqueles que emitam uma canção mergulhada  toda ela em tons "aquosos" ou com um tom geral grave , por serem estas, como foi dito, características da canção de outras variedades de canto.
A intensidade de voz dos giros emitidos deve ter um valor tal que permita a clara audição das vogais e consoantes que componham os mesmos e sem  chegar à estridência, de tal forma que destaque o carácter musical alegre de este tipo de canto.
O timbre dos giros emitidos, igual ao indicado para o  tom, poderá abranger um amplo espectro sempre que não seja igual ao das outras variedades de canto actualmente reconhecidas.
Quanto às  características da canção que devem compor-se com os giros, a mesma deve estar baseada principalmente em:
Ritmos lentos que permitam uma dicção o mais clara possível, portanto, consideram-se giros principais deste tipo de canto aqueles cujo ritmo seja lento ou semi-lento, sem com isso se devam desvalorizar os giros de ritmo rápido pois estes também contribuem para a  riqueza e variedade deste tipo de canto, mas o canto não se deve apoiar neles pois isto é uma especialização característica de outra variedade de canto oficialmente reconhecida.
Melodias muito variadas, e  que devem estar compostas por giros de todos os tipos de ritmo de emissão, mas nas que predominarem os lentos e semi-lentos, de tal forma que as mudanças de ritmo se produzam de forma clara e sem oscilações. Atendendo ao aqui exposto não se consideraram exemplares de primeira categoria aqueles que repitam monotonamente um tipo determinado de giros em prejuízo de uma canção variada.
Resumindo, o canto Timbrado Espanhol deve ser de ritmo lento, com boa dicção, e muito variado.
Ao  ser o  canto "Timbrado Espanhol" um tipo de canto, e portanto, que pode ser emitido por muitos tipos de exemplares, estes exemplares  se consideraram dentro desta variedade, sempre que: a canção emitida tenha as características incluídas nesta definição conceitual, os giros se possam classificar dentro da Ficha de Julgamento e na correspondente definição do Código, e que não emitam uma canção baseada em  giros e características de canto das variedades de canto oficialmente reconhecidas.
Apesar de muitos criadores, sobretudo estrangeiros, lhes pareça surpreendente o conflito  existente no seio da canaricultura de canto espanhola, esta é tão antiga como a historia da nossa canaricultura desportiva moderna. A consolidação da problemática que desde as suas origens arrasta a nossa canaricultura de canto, deve-se a grande parte à idealização que um dia se fez do quase mítico canto do canário do e que conduziu a dois modelos  completamente diferentes de canário. Ao concorrerem estes dois modelos, por diferentes circunstâncias, no estandarte do Timbrado FOCDE, se  iniciou uma polémica que tem sido utilizada em diferentes momentos da história da nossa Ornitologia Desportiva como arma lançada pelas duas grandes federações nacionais (F.O.C.D.E. e F.O.E.), o que explica, por si só,  o temor reverencial  que a questão timbradista desde sempre causou nos estratos políticos da canaricultura espanhola e inclusive internacional.
O  Código do  Timbrado de F.O.E. mudou  pouco em relação ao elaborado por Alejandro Garrido em 1950 e  menos ainda se o  compararmos com o  aprovado pela C.O.M. em 1962, o  que implica um modelo de canto definido e facilmente identificável até  por estranhos na matéria, isto confere ao Timbrado F.O.E., um selo de identidade racial do que, lamentavelmente, está faltando  em F.O.C.D.E.; já  que os Códigos dessa federação se caracterizaram desde 1976 por um exercício de malabarismo político para contentar as diferentes tendências, pecando assim numa indefinição que faz praticamente impossível para alguém de fora da raça poder imaginar sequer o que caracteriza o seu canto. É esta e não outra a razão ainda que o standard  FOCDE, com algumas nuances, é a reconhecida  oficialmente pela COM, muitos aficionados estrangeiros preferem o standard  FOE.
 
2 - Antecedentes históricos.

Será preciso voltar atrás no  tempo, na  Espanha de pós-guerra, mais concretamente no final da década dos anos quarenta, entre finais dos anos quarenta e princípios dos cinquenta, partindo do indefinido canário do País (1) , que apesar do seu mito não deixava de ser mais que o canário comum criado em Espanha, começou-se  a trabalhar no sentido de se alcançar um canário de canto que fosse representativo da  Canaricultura Nacional. Se bem que o objetivo era um, dois foram os caminhos para o conseguir, caminhos que, longe de convergirem, com o  tempo foram-se separando mais e mais, até ao ponto de acabarem em modelos de canto claramente antagónicos.
Na  F.O.E., pela  mão, principalmente, de Garrido, Serrano, Crespo, Pulido e Lacomba, selecionou-se  um canário de canto metálico, alegre, variado e de repertório estereotipado, primando a emissão de giros de texto fonético limitado facilmente identificáveis, entre os quais se  destacavam os timbres, o CHAU e o PIAU, considerados básicos e hereditários e que conferiam grande  homogeneidade a todo o  conjunto de exemplares. Como a base da canção deste tipo de canários eram os timbres se denominou Timbrado Espanhol.
(1) O canário do País era, supostamente e segundo acreditavam os canaricultores da época, o descendente directo mais puro dos primeiros canários silvestres criados em cativeiro em Espanha, por isso se supunha que o seu genótipo e fenótipo eram os mais próximos do seu antepassado selvagem, no entanto, é impossível falar deste tipo de canários como constitutivo de uma raça, já que os canários do País careciam da homogeneidade fenotípica, a grosso modo, que caracteriza às raças fixadas e seleccionadas  . Do casario do País espanhol surgiram, por seleção, como por cruzamentos com raças estrangeiras, canários silvestres e inclusive através da hibridação com milharinhas, várias raças, ainda que  algumas delas não tenham sido reconhecidas nestes últimos anos. Assim, si lermos os artigos da época, as referências em livros de canaricultura, espanhóis e estrangeiros, e os cruzamentos que se falam neles, comprovaremos que se mistura a origem dos canários de Raça Espanhola (Catalunha), do Timbrado (Madrid), do Giboso Espanhol (Sevilha), do Melado Tinerifenho e do  Larguillo (Valência). Ainda que o  Canário Descontinuo sempre se tenha guiado pelo standard do Timbrado, o nosso canário de canto baseado nos ritmos não contínuos surgiu na mesma época que o Timbrado, de forma paralela e independente, nas Astúrias.
Paralelamente a esse trabalho, no l Grupo de Pájaros del Sindicato Nacional de Ganadería, se levava a cabo outro trabalho  muito diferente com vista a alcançar um canto baseado em giros de ritmo não continuo e texto fonético ilimitado, preconizado, não apenas exclusivamente, por Drove, Ruiz, Rico, Pérez Manso, Ecalle e Bouzo, que procuravam canários que se destacassem  por seus dotes interpretativas e cujo canto fosse valorizado mais pelas suas qualidades e excelências musicais que em função do mecanizado preenchimento de uma ficha de julgamento, como acontecia noutras  variedades, nas  quais a pontuação total era simplesmente a soma do valor individual de cada um  dos diferentes tipos de variações emitidas, em detrimento do valor global do canto . Estes autores denominavam o seu canário de Canto Espanhol ou Cantor Espanhol, cujas referencias eram de alguns canários criados no principio do século nalgumas regiões  catalãs e das quais havia apenas  referencias idealizadas daquelas pessoas que os tinham conhecido, como era o caso de Drove, originário de Vich.
Enquanto nas Astúrias se foram estabelecendo pouco a pouco as bases do seu canário de canto, na capital do Reino caminhava-se mais rápido e trabalhava-se de empreitada. A  consequência foi a F.O.E. ter apresentado em  primeiro  lugar o resultado do seu trabalho conseguindo que o seu canário fosse  reconhecido internacionalmente,
antes do reconhecimento do Timbrado F.O.E. e  dado que este trabalho  se apresentava como o culminar do processo selectivo do canário do País, assim se levantaram as vozes daqueles que o defendiam como sendo o autentico e genuíno canário do  País, não era o Timbrado de  F.O.E., mas se havia um tipo de canário merecedor de ser considerado como descendente do canário do País esse era asturiano. Esta foi a origem de uma polémica que já dura há mais de meio século. Voltando ao principio dos anos sessenta e depois disso, é fácil de perceber porque o canário asturiano não teve espaço no standard do Timbrado FOE, por ser de uma outra variedade. Longe de reconhecer esta realidade e de se apresentar o  reconhecimento racial dos seus canários, os defensores do canário asturiano defendiam, seguindo Drove, a ideia de que o seu canário era o autentico herdeiro dos antigos canários do País e o único com méritos suficientes para representar a  canaricultura de canto espanhola, e não segundo eles, o  bastardeado Timbrado F.O.E. Enquanto F.O.E. se tornou o garante da pureza racial do  Timbrado, no Grupo de Pájaros e  seu sucesor a A.O.N.S., os defensores do Cantor Espanhol foram impondo-se, ajudados por juízes e aficionados de Andaluzia, que já naquela época optaram por um tipo de canário de canto eclético que conjugava as virtudes de ambas as variedades de canto. Exemplo deste entendimento  foi o Código de Córdoba de 1976, que se referia à  raça como canário de Canto Espanhol (Timbrado) e o principio da explicação da denominação Timbrado pelo timbre de voz metálico da raça e não pela emissão de timbres. Na opinião dos defensores do Timbrado com este Código tratava-se de substituir uma variedade de canto pela outra e  aproveitar a característica principal de raça internacionalmente reconhecida do Timbrado Espanhol.
Desde então, dentro da nossa federação tem coexistido não apenas duas, mas três tendências, tornando-se a intermédia, hoje em dia, em sua maioria, sendo considerada no momento como a legítima herdeira do Timbrado original, já  que o canto destes exemplares respeita os parâmetros básicos do Timbrado, procura de repertórios variados formados por giros dos três ritmos básicos de emissão e completos em relação aos diferentes tipos de giros que compõem a ficha de julgamento.

3 - A tripla personalidade do Timbrado

A  coexistência não foi de todo pacífica, já  que ciclicamente surgiram conflito internos entre os criadores de uma uo outra variedade para tentarem impor o seu tipo de canto sobre os outros. Exemplo disso foi o que aconteceu  quando se integrou a A.C.E., com os seus juízes F.O.E., na  A.O.N.S. e que após vários anos de crispação e acalorados confrontos  entre Albino Fernández Terán, defensor dos critérios A.C.E.-F.O.E. e  Rafael Martínez Bouzo, terminou na nomeação de uma Comissão Gestora na  Comissão Técnica do Timbrado da já F.O.C.D.E.; esta comissão elaborou o Código de Canto de 1987, cujo texto reproduziu quase integramente o  Código de Córdoba de 1976.
Claramente, o que define o genuíno e autentico Timbrado Espanhol e se fazemos um estudo objectivo teremos que chegar à conclusão de que os únicos canários que respondem a dita definição são os chamados Timbrado F.O.E, também popularmente clamado de  clássico, e intermédio, cuja base genética canora são os timbres, os CHAUS e os PIAUS, no caso do Timbrado F.O.E., com o complemento de uma serie de giros, mais ou menos importantes, que se combinam com os básicos para criar canções que se ajustem o mais possível à ficha de julgamento standard. Por outro lado, o Canário Descontinuo, popularmente chamado floreado, baseia seu canto na  improvisação, na sua  capacidade de criar e combinar nas canções musicalmente complexas e atractivas infinitos sons de ritmo não continuo, timbre variado e texto fonético ilimitado. A emissão de giros de ritmo continuo (timbres e rodadas) e de ritmo não continuo de texto fonético limitado (cascavel, castanholas, Chaus, Piaus, Campainha, etc.) confere às canções dos canários que as realizam uma aparência de semelhança canora da que carece o Canário Descontinuo, cujo cartão de apresentação é, precisamente, a diversidade em estado puro. Trata-se, em suma, do canário cantor por excelência, um exemplar criado para compor e que por isso  requer de uma seleção genética especialmente exigente: : Não basta apenas eleger exemplares que possuam os aparatos de canto mais adequados, mas também demonstrar o seu talento para usar da forma mais eficiente do ponto de vista musical (2) .

FENÓTIPO:
Não sendo o  canário de Canto Timbrado Espanhol nem de cor nem de forma, fica ao critério do criador a  liberdade de ajustar os caracteres fenotípicos de seus exemplares segundo a evolução do canário silvestre. Não se admite o  factor vermelho nem a  presença de riços na plumagem.

FONTE: http://timbradosdiogosantana3.blogspot.com.br/2011/11/historia-del-timbrado-espanol-el-origen.html

Aprendizagem do canto no canário

Aprendizagem do canto no canário 

 



INTRODUÇÃO

      O objetivo de conseguir criar canários de canto campeões contém dois aspetos fundamentais: o primeiro consiste em conseguir canários com um  genótipo adequado, para isso temos que partir de pais com um genótipo definido  e  linhas previamente  bem estabelecidas e  conseguidas  com um  processo de acasalamento e seleção  correto, uma vez conseguido tudo isto, é necessário realizar um adequado processo de aprendizagem do canto com os novos machos, que lhe vai dar a possibilidade, já adultos, de conseguirem, com o seu timbre de voz eleito e umas faculdades notáveis, interpretarem uma canção  bela e meritória. O  conhecimento que os criadores de Timbrado tem  sobre esta aprendizagem é fundamentalmente  empírica, baseada  em experiências de criadores mais maduros e com uma longa e vasta  dedicação a estes pássaros.  O essencial deste conhecimento é fundamentado, na minha maneira de ver, e também um facto aceite por todos,  de que maneira  os canários herdam  o  timbre e outras faculdades de  voz dos seus progenitores?  Existem  duas hipóteses controvérsias: uns dizem que a canção, com mais ou  menos riqueza silábica  e  umas pautas musicais concretas, deve ser uma manifestação espontânea  da  dotação genética em  conjunto  com o  meio ambiente, outros dizem  que uma  canção  para ser de qualidade deve  ser aprendida e imitada de exemplares adultos que com eles convivem  durante a fase de aprendizagem. Os primeiros não utilizam  professor para que o canto seja, como se disse, manifestação  dos seus genes, e não da  aprendizagem que, para além disso, se poderá  perder no ano  seguinte, enquanto que os segundos fazem conviver os jovens  canários com exemplares adultos que lhes podem ensinar  a cantar com perfeição uma determinada canção.

     Parece também aceite por todos os criadores  que o  canário aprende do meio ambiente em que se rodeia  desde o seu nascimento  até ao mês de Novembro, em que deixa de aprender, "cerrando  o  canto",   apresentando  nessa altura  uma canção estável. Normalmente, a meados ou finais  de Outubro, os jovens canários  separam-se dos seus irmãos e são  colocados individualmente em gaiolas de canto  para serem ouvidos  pelo criador, agrupados e  treinados  para depois serem  apresentados  a concurso, de Novembro a Janeiro, como equipas ou  individuais. O treino consiste, essencialmente, em  mantê-los num ambiente  com pouca luz e mudá-los, periodicamente  e  durante  períodos curtos de tempo,  a um sitio iluminado para que se acostumem a cantar quando lhes incidir  a luz para depois  cantarem no momento em que forem avaliados  pelo juiz. É com alguma frequência, que alguns  criadores administram testosterona  em  gotas durante  este  período de treino. Isto acontece  com  alguma frequência, derivado à realização de concursos logo cedo, no final  de Outubro  a meados  de Novembro, obrigando os  criadores   a  colocar  os seus  canários, em gaiolas de canto,   antes do previsto,  por vezes a meio  de Agosto e meados de Setembro, podendo, deste modo,   alterar  o processo natural de aprendizagem.

     É  sabido que periodicamente e todos os anos, durante  a muda, entre os meses de Verão a Outono,  o  canário deixa de cantar com mestria para recuperar novamente no Inverno o seu canto  que pode ser igual ao que tinha  antes da  muda ou, um pouco diferente. Em  relação a este assunto  também existem pontos de vista diferentes, aqueles que utilizam  professor dizem  que os  seus  canários não modificam o canto nos anos  seguintes, porque ouviram e aprenderam  enquanto eram  novos  de outros exemplares  adultos e  de qualidade,  os que não utilizam professor dizem  que o canto dos seus  canários é espontâneo dos  seus  genes e que  não  aprenderam  nada  à  margem da sua dotação genética.

     O  presente artigo pretende  rever e  sistematizar os  conhecimentos  empíricos utilizados na aprendizagem do canto dos  nossos canários . O  método  consiste  em consultar  criadores de distintas tendências, baseados na sua  larga experiência, e também através da   bibliografia existente na  base de dados  de MEDLINE da  National Library of Medicine. U.S.A.  

         Desenvolvimento dos seguintes temas:

 Fases, Controlo hormonal, Controlo neurológico da  aprendizagem, Imitação de um modelo adulto e Conclusões.

FASES DE APRENDIZAGEM:

     Antes de entrar nesta polémica, revemos os estudos existentes sobre a forma em  como os canários conseguem  cantar com  destreza a sua canção, desde o seu nascimento até à fase adulta.

     A  ave canta para se comunicar com os seus semelhantes, estabelecer o seu território de criação e os machos  atrair  as fêmeas.

     Desde a antiguidade é  conhecida a capacidade  que alguns pássaros tem  para imitar sons, contudo foi W. H. Torpes   que demonstrou, nos  anos 50,  que os pássaros cantores exerciam esta capacidade de forma  habitual,  pois tem a capacidade de aprender a cantar da mesma forma que os humanos  tem em aprender a falar, imitando formas e modelos que outros  adultos  lhes proporcionam. Observou que os tentilhões aprendiam a cantar de exemplares adultos uma só vez na sua vida, justamente  antes de conseguirem a sua  maturidade sexual, e posteriormente, perdiam para sempre esta capacidade de aprender. O período em que podem aprender  chama-se  "Período Crítico" da aprendizagem. Não acontece de igual modo com os canários,  já que estes mudam de  canto de um ano para o outro e são, deste modo, aprendizes  ilimitados no tempo. Todos os anos  tem um  " Período Crítico" de aprendizagem antes de chegar a Primavera,  desde os  finais do Outono  a   princípios da Primavera .

     O  canto dos canários evolui desde o seu  nascimento até à sua  maturidade sexual, passando por fases:

a) Os primeiros sons que o  canário emite, desde que nasce até à separação dos seus pais,  final da quarta semana, são  uns chilidos agudos que levam os pais a dar-lhes  de  comer.

b) Os primeiros ensaios rudimentares do canto começam na quinta semana  até  final do segundo mês de vida, denominada de "sub-canção". São gorjeios de pouco volume, e de  estrutura variável, emitidos quando o pássaro está como que a dormitar,  chamada a  "revisão" para os criadores. Parecem representar uma fase prematura  da prática vocal, de  onde se originará o repertório de sons completos  que usará para a sua comunicação.

c) Uma canção mais estruturada, próxima já do canto dos adultos mas  ainda  bastante variável, dá  lugar  à  "canção plástica",  a sua duração é de 6 meses,  aproximadamente  ,  a partir  do   terceiro  mês de vida  até  alcançar a  maturidade sexual,  aos  sete ou  oito meses. Como veremos mais adiante, durante  a primeira metade desta fase, da canção  plástica, os tamanhos dos núcleos cerebrais que controlam  o canto aumentam  pouco  mas, durante a segunda metade  (do sexto ao  oitavo mês de vida), produz-se um aumento espetacular no tamanho do centro vocal superior. No  final desta fase, o  canário já  pode vocalizar 90% das sílabas que irá usar quando for adulto.

d) No começo da primeira fase do acasalamento, o canário transforma as sílabas em estereótipos e expressa uma "canção estável" com uma riqueza silábica concreta e umas pautas musicais fixas e  estereotipadas, o "encerramento do  canto" para os  criadores. Não parece resultar  fácil a consolidação desta "canção estável", se considerarmos que investem  nela  vários meses de prática, correspondentes à  fase de "canção plástica".

e) No entanto, esta canção também não é a canção  ou  repertório silábico definitivo para toda  a vida do  canário. Todos os anos  depois da   muda, no  final do Verão e durante o  Outono, o  pássaro perde a mestria de executar a canção aprendida voltando uma vez mais  instável, igual à "canção plástica" dos jovens. Durante este período, haverá  sílabas dominadas que se esqueceram, enquanto  que outras novas se incorporam no seu canto de uma forma estável, que serão expressadas na Primavera seguinte, assim,  os canários machos adultos podem desenvolver um  repertório de sílabas novas no seu canto. A transição da  "canção  estável" à  "plástica", e  desta novamente  à  "estável", repete-se  anualmente  no  canário adulto.

CONTROLO  HORMONAL  DA  APRENDIZAGEM

São muitos os fatores meio ambientais que podem  influenciar na  aprendizagem do canto dos  canários, como os sons que ouvem,  a luminosidade  do  sítio  onde estão,  a alimentação,  a companhia  de outros canários adultos ou mesmo novos,  e  outros que provavelmente desconhecemos. Além disso, esta  aprendizagem  estacional vem determinada pelo  equilíbrio hormonal, visto  que as fases de adquirir  novas  sílabas estão  precedidas por uma  menor concentração no sangue de testosterona,  hormona sexual masculina. Efetivamente, o canto de um canário carateriza-se pelo número de sons ou sílabas distintas que contém determinadas pautas musicais, quando o canário está na  fase de canção  plástica costuma  incorporar novas  sílabas no seu canto. Esta incorporação coincide com um aumento  do  tamanho dos  núcleos cerebrais  controladores do  canto, e  é  precedida por uma caída do nível de testosterona  no  sangue, de forma inversa, quando os níveis de testosterona  no  sangue são  altos e o  canário se encontra na  fase de canção  estável, incorpora poucas sílabas no seu canto.

     Portanto, pode-se  afirmar, que a fase de canção plástica, que vai do começo do  terceiro mês de vida  até finais do sétimo ou oitavo mês  de vida, aproximadamente desde Maio a Novembro, é o "período crítico" da aprendizagem dos canários, sobretudo durante os meses de Agosto, Setembro e Outubro  (ver Figura 2). Durante este tempo os canários dispõem  de uma capacidade natural para aprender sílabas  e  pautas musicais, superior ao  resto dos  meses do ano.

     Em relação ao parágrafo anterior pode-se deduzir que se encurtarmos a  duração do "período crítico" de aprendizagem ou  fase de canção plástica,  o  canário terá  menos tempo para aprender sílabas novas e conseguirá uma canção  estável  com mais  pobreza silábica. Se dermos testosterona exógena aos  canários durante o período do  terceiro  ao sétimo mês, aproximadamente de Maio a Outubro,  elevamos os níveis  de plasma até ao "pico", igual ao alcançado em Novembro,  podemos, desta maneira,   acelerar a maturidade sexual, conseguindo a fase de canção  estável mais cedo, à custa de encurtarmos  o  "período crítico" de aprendizagem.  Procedendo ao  enjaulamento (colocação nas gaiolas de canto)  individual dos jovens  machos em  épocas muito precoces, como a  meados de Agosto a meados  de Setembro, vamos desta forma  acelerar a sua  maturidade sexual encurtando também a duração  deste "período crítico". Estes dois procedimentos, o aporte de testosterona exógena e o enjaulamento (colocação nas gaiolas de canto) precoce dos novos machos, é efetuado por  alguns criadores que são  obrigados a fazê-lo para irem a concurso mais cedo, em  finais de Outubro a  primeiros de Novembro. Mas, além  de encurtar a  duração  do "período crítico", o  enjaulamento (colocação nas gaiolas de canto)  individual precoce ou o aporte excessivo de testosterona exógena poderão diminuir a  capacidade de aprendizagem durante  os meses mais  produtivos deste período como são os meses de Agosto a Outubro que é quando mais  sílabas podem aprender os canários. Como se nota, a realização  de concursos de canto muito cedo pode  contribuir para a pobreza silábica no canto dos canários que participam nesses  concursos. Além disso, temos que estar  conscientes que o  enjaulamento (colocação nas gaiolas de canto) individual precoce dos canários faz com que a sua  aprendizagem  durante este tempo se realiza em solidão, enquanto que se enjaular (colocar na gaiola de canto) normalmente, desde meados de Outubro  a meados de Novembro, a  aprendizagem poderá  enriquecer-se com a companhia de outros canários machos, assim ao ter às escuras os novos machos tão cedo pode alterar qualitativamente o processo de aprendizagem.

     No entanto, pondo-se  a hipótese  que, se aportará testosterona exógena durante a fase da canção plástica (apenas  com o  objetivo de restaurar  os níveis baixos  desta hormona),  evitamos  possíveis carências durante  os meses da "canção  plástica"  e  talvez conseguir estimular o crescimento dos núcleos "CVS" e "AR" que dispõem de maior numero de neurónios, dando lugar a uma canção com maior riqueza silábica sem  adiantar a maturidade  sexual e, portanto, sem encurtar a  duração do "período crítico".

CONTROLO  NEUROLOGICO DA  APRENDIZAGEM

Ainda que o canto do canário se execute no seu  órgão  canoro, a siringe, é no seu cérebro onde reside o conteúdo da "canção estável", com a sua composição  silábica  e  padrões  musicais específicos e onde se controla a sua  execução feita pela  siringe, como veremos mais à frente.

Em 1976, Fernando Nottebohm, especialista em conduta animal e neurogénese da Universidade de Rockefeller, NY, U.S.A., identificou grupos de células cerebrais diferenciadas que controlam o canto dos  canários. Estas células são  distribuídas  num  núcleo maior, chamado de "Centro Vocal Superior" (CVS), que envia prolongações axóniais a outro núcleo chamado centro "robustus archistriatalis" (RA) e  este, por sua vez, envia outras prolongações axóniais  ao  núcleo do "nervo craneal hipoglosso" que abastece  os músculos da siringe.


CÉREBRO DO CANÁRIO. A  parte superior da figura representa  um corte lateral do  cérebro e, a parte inferior, um  corte longitudinal da traqueia, da siringe e dos brônquios principais do canário. O  cérebro tem vários núcleos formados por neurónios  especializados em   controlar a  aprendizagem e a performance  do canto. O  núcleo maior é o Centro Vocal Superior (CVS), que envia prolongações  nervosas ao  núcleo "Robustus archistriatalis" (M),  e este por sua vez envia  outras prolongações nervosas ao núcleo do nervo craneal  hipoglosso , que abastece  os músculos da siringe, órgão onde se produz o som. (Retirado  de Nottebohm F. From bird song to neurogéneses. Sci Am 1989 Feb; 260(2 ): 74-9).
Ambos os núcleos estão situados  nos  lóbulos frontais  do  canário, onde se controlam complexos  comportamentos aprendidos. O  CVS parece ser o responsável  por  identificar, produzir e memorizar   o  canto,  este núcleo funciona para reconhecer as canções  que percebe, atua como uma memória percetiva de uma canção modelo, para logo poder imitá-la, se for um macho, ou poder reconhecê-la  e identificar os seus  parentes ou parceiro, se for uma  fêmea.
Esta informação canora armazenada no  CVS  é  conduzida através das suas prolongações axoniais a outro núcleo AR que se encarrega de desenvolver a destreza motora na execução do canto através do nervo craneal hipoglosso, que  abastece os músculos da siringe.
Comprovou-se  que estes centros são maiores  nos  canários  com um canto mais  complexo nos quais este é mais fácil e que aumentam  de tamanho  após administração  de testosterona e também maiores   durante a Primavera, quando os  níveis  de testosterona são  mais altos, são maiores  nos  machos que nas fêmeas, por outro lado , diminuem de tamanho após a fase reprodutiva,  quando o  canto novamente se torna instável e os níveis  de testosterona  no  sangre caem drásticamente.
Também se comprovou  que a  sobrevivência dos neurónios regenerados que chegam ao  CVS  dependem dos níveis  suficientes de testosterona, a qual mobiliza os neurónios  mediante um fator neurotrófico derivado do cérebro (FNDC), já se viu que esta sobrevivência depende do  ritmo do que a cada dia canta o canário, já  que o uso dos circuitos motores relacionados com o canto estimulam a liberação do FNDC, afetando  neste último caso mais os  neurónios  do centro RA. Está também comprovado que a audição  de sons ajuda a desenvolver  e  a  potenciar os circuitos auditivos envolvidos na aprendizagem do cantor.
A descida significativa dos  níveis  de testosterona durante os primeiros meses de vida, de Maio a Julho, coincidem com a  aparição da primeira  muda e  uma paragem  de crescimento no tamanho dos   centros controladores do canto, que se recupera nos  meses seguintes, paralelamente a uma recuperação dos  níveis de testosterona e  atingindo o seu máximo no mês de Novembro. Tudo isto ocorre durante a fase de canção plástica associado a um processo de aprendizagem  importante. O  tamanho destes centros cerebrais, como se disse, é  máximo durante a Primavera, em  que os níveis de testosterona são máximos.
A partir do segundo ano e com uma periodicidade anual, ao  acabar a época de criação e  durante a seguinte muda, mais concretamente, em Agosto, os neurónios  dos centros reguladores do canto sofrem um processo de regressão e  morrem em  grande  número causando uma  descida  no tamanho  dos  núcleos, coincidindo com  una descida  importante dos níveis de testosterona. A esta fase de regressão dos núcleos segue-se outra de regeneração, mediante um processo de neurogéneses com incorporação de novos  neurónios, que é máxima em Novembro, quando os níveis de testosterona voltam a ser muito altos. Este processo repete-se todos os anos da mesma maneira.
Coincidindo com estes momentos de crise por descida e recuperação dos níveis de testosterona com regressão e regeneração dos núcleos cerebrais controladores do canto, produz-se uma instabilidade e  modificação no canto, podendo-se  perder, incorporar ou modificar sílabas da canção. A canção faz-se  novamente estável  entre Novembro e Maio, quando o processo de regeneração dos centros cerebrais está estabilizado. Estes altos e baixos dos tamanhos dos  núcleos cerebrais não se observam noutros  pássaros cantores  os quais aprendem uma canção  e lhes dura para toda a vida.
Dado o paralelismo visto entre a  capacidade para aprender e emitir um canto complexo  e  o  tamanho dos núcleos cerebrais, super posição do número de sílabas aprendidas por mês, tamanho do centro vocal superior (CVS) regulador do canto e os níveis de testosterona no sangue. Durante a canção plástica o "período crítico" de aprendizagem do jovem  macho observam-se  níveis baixos de testosterona: Após uma descida inicial muito pronunciada desta na  primeira metade (Maio a Junho) aparece a "muda" e  pára o crescimento no tamanho do CVS, produzindo-se logo uma recuperação progressiva durante a segunda metade (Agosto a Outubro), nesta  segunda metade, coincide um crescimento espectacular no tamanho do CVS por um fenómeno de neurogênese, uma capacidade máxima de aprendizagem e uma recuperação dos níveis de testosterona, até  adquirir níveis máximos em Novembro, protagonizados pela ação da testosterona  durante as fases da subcanção e fundamentalmente durante a fase da canção plástica, a dependência do canto manifesta-se de acordo com um  correcto desenvolvimento dos centros cerebrais e, por sua vez, a disponibilidade dos níveis de testosterona adequados nesses momentos.
 Também com periodicidade anual, em Janeiro, se produz uma  descida importante dos níveis de testosterona no sangue não muito significativa, que não é acompanhada de instabilidade  na  canção nem na diminuição do tamanho dos centros do canto, talvez por um consumo importante desta hormona  nos  tecidos para desenvolver os caracteres sexuais como preparação para a época de reprodução
APRENDIZAGEM, NÚCLEOS CEREBRAIS E TESTOSTERONA NO CANÁRIO

Superposição do número de sílabas aprendidas por mês, tamanho do centro vocal superior (CVS) regulador do canto e os níveis de testosterona no sangue. Durante a canção plástica o "período crítico" da aprendizagem do novo canário observam-se  níveis baixos de testosterona: após uma descida inicial muito pronunciado desta na primeira metade (Maio a Junho) aparece a "muda" e pára o crescimento no tamanho do  CVS; logo se produz uma recuperação progressiva durante a segunda metade (Agosto a Outubro), nesta segunda metade, coincide um aumento espetacular  no  tamanho do  CVS por um fenómeno de neurogéneses, uma capacidade máxima de aprendizagem e uma recuperação dos níveis de testosterona, até  adquirir níveis máximos em Novembro.


Ao acabar a  época de criação no canário já  adulto e  a partir de Maio, voltam  a baixar os níveis de testosterona,  aparece de novo a "muda" surge  uma regressão no tamanho do  CVS, por se ter perdido alguma  parte  dos seus  neurónios  e também uma perda de mestria na realização do canto, entrando novamente na fase de canção  plástica. Ao se recuperare  novamente  os níveis de testosterona, esta induz novamente um processo de neurogéneses, recuperando o tamanho do CVS e  entra na fase de canção estável  com uma  partitura potencialmente destinta por esquecer ou modificar  notas antigas ou adquirir  outras novas. Este ciclo repete-se todos os anos! Fica  patente a dependência da aprendizagem  do canto durante a canção  estável, antes da Primavera, produz-se  outra  descida  importante dos  níveis de testosterona que não se  repercuta  sobre o tamanho do CVS nem  sobre a mestria no canto que, talvez, poderá  estar  relacionado   com um maior  consumo desta hormona para a preparação dos tecidos do macho para a  reprodução. (Retirado do Nottebohm F. From bird song to neurogéneses. Sci Am 1989 Feb: 260 /2): 74-9)

 

APRENDIZAGEM E IMITAÇÃO DE UM  MODELO ADULTO

Parece lógico pensar que, se os  canários tem a capacidade de aprender a cantar imitando o  modelo de machos adultos, e  esse é o procedimento que estes pássaros seguem quando vivem  em liberdade  na  natureza   que convivem e  aprendem o  canto do  pai e outros  machos adultos no bando, onde estão inseridos. Os nossos  canários deveriam aprender a cantar imitando também um  macho adulto com uma canção  de qualidade, seguindo o  exemplo da  natureza. Isto é o critério  de muitos bons criadores  como é o caso de Arcadio Pavón Macho, de La Puebla de Cazalla (Sevilla), que usa  um professor para os canários novos para que estes  aprendam a pronunciar bem  as notas e sempre que  a genética lhes deia uma boa voz. O  professor fica à solta no voador , junto com os canários novos  até que estes passem às gaiolas individuais, os  professores serão canários muito completos que não tenham galado ou criado em excesso, pois assim conservam um canto de maior  qualidade. Depois dos canários novos abandonarem o voador já não há grande necessidade de utilizar o professor. Pondo-se a hipótese  que o  canto é  de melhor  qualidade quando  aprendido  de um  exemplar com potencial evitando-se defeitos no seu  canto, depurados previamente pelos seus  professores.


Outros criadores expertos, como Joaquín Sandua Sánchez, de San Pedro de Mieres (Oviedo), sustentam, sem obstáculo, o  critério de não usar professores para que o  canto que exibirem seja manifestação espontânea de seus genes e que a aprendizagem não falsifique a expressão dos seus genes, consequentemente, a seleção que se realize daqueles exemplares com melhor canto corresponderá a exemplares com um genótipo de mais qualidade. Isto não quer dizer  que dois canários com a mesma dotação genética tenham  que exibir uma canção idêntica, já que o canto, como mostra do fenótipo que é, resulta da interação dos genes com o  meio ambiente, no seu  sentido mais amplo (outros sons audíveis, nível de luminosidade, alimentação, temperatura, sineiros mais ou menos numerosos, disposição de níveis corretos de testosterona durante a canção plástica, etc.) e é quase impossível que esse  meio seja também idêntico em ambos os pássaros. Este método de aprendizagem sem professor aplicar-se-ia até fixar uma determinada linha,  logo daria o mesmo usar professor ou não, posto que a seleção está realizada e a linha  fixada. Além disso, a experiencia também nos  mostra que o canário que elabora uma partitura ou canção sem professor tem mais capacidade de improvisar, de tal maneira que a sua canção nunca é repetitiva, mudando uma vez e outra. Seria útil agrupar os novos canários por famílias, que tenham uma dotação genética parecida e o seu canto tenha  características similares e evitar ou atenuar a influência de outros grupos de canários novos de distintas linhas, alojados em voadores  contíguos, que se possam ouvir  e influenciarem-se entre eles, para isso costuma-se  utilizar um  rádio que faz de  barreira acústica.


Um critério intermedio, mais ecléctico, é o de usar professor na  "separação",  só até que comece a muda em Julho e os professores deixem de cantar, assim os novos canários poderão desenvolver a canção aprendida segundo a sua própria genética durante  o  resto do Verão e o Outono. Uma quarta possibilidade, usada também  por alguns criadores, é usar vários professores com canções diversas, todos metidos na  "separação" e cada canário  aprende  o  canto de quem mais gosta  ou uma mistura de todos eles. Outros criadores usam um sistema misto, para sacar novos floreios e  novas canções, criam à parte uns  quantos casais sem maestros,  para que saiam  alguns com  floreios novos ou canções novas de qualidade, e os utilizam como professores sucessivamente.


Existem estudos  experimentais  realizados com outros pássaros cantores, como o tentilhão zebra, do qual se pode tirar os  seguintes conclusões:


1.   Um único pássaro  criado  em  cativeiro com o seu pai  imita de forma quase perfeita  o  canto deste, mas, quando se criam vários pássaros juntos com um macho adulto, cada um destes pássaros converte-se, por sua vez, em tutor  de seus irmãos e diminui a  imitação do  modelo do pai,  o  maior número de pássaros  juntos, menor o número de sílabas imitadas e menor a duração da  canção  aprendida. Os pássaros  nascidos mais tarde, em termos relativos, aprendem do  adulto mais rapidamente que  os irmãos  mais velhos  e com uma imitação mais completa.


2.   Os pássaros, dentro da gaiola, aprendem  um  modelo de canto mediante "playback", mas a excessiva abundância deste modelo reduz a  sua imitação até uns 33%. Esta restrição de  imitação afecta seletivamente as  sílabas concretas, não se produz  ao acaso, isto faz com que haja sílabas que quase  todos os novos canários imitam e outras que quase nenhum as  imitarão.


3.   A criação de canários isolados socialmente, quer dizer, sós e sem ouvirem  modelos de canções de outro adulto, pode  dar lugar a um canto improvisado, ainda  que atípico, incluindo muitos  normais. Embora, esta capacidade de improviso  não  pareça manifestar-se quando se induza uma  menor imitação de um modelo adulto após  sobre exposição deste.


4.   Se os canários ouvem  cantar  outro macho que esteja fora da gaiola, mas sem poder estabelecer contacto visual nem inter agir  com ele, a imitação do seu canto será escassa ou nula.


Não existem experiências, ainda que estejam em curso, nos que se tem usado vários modelos de canção diferente e de uma  forma  simultânea.


À luz  destes dados e em relação aos hábitos descritos em nossa canaricultura, podemos afirmar o seguinte:


1.   Efetivamente, os jovens canários  fechados  com os seus pais ou outro macho adulto imitam a sua canção  de forma quase completa. A imitação será menos completa quanto  mais  canários novos  estiverem no  mesmo voador e os canários nascidos mais tarde aprendem a canção dos pais mais  cedo que os mais velhos. O  uso de gravações reproduzidas dentro do voador consegue uma  imitação quase completa, paradoxalmente, se os canários a ouvem escassamente, não mais de 2-3 minutos por  dia e se a reprodução é abundante, a imitação é  menos completa.


2.   O não usar  modelos adultos para que sejam imitados dá lugar a que os jovens canários improvisem uma canção atípica e  com sílabas características. Neste caso, cada canário serve de tutor  a seus irmãos.


3.   O  uso de um rádio de fundo, soando durante todo o dia, poderá produzir dois efeitos, primeiro: estimular as vias auditivas do canto, incluindo o  CVS, segundo: servir abundantemente de estímulo auditivo, conseguindo reduzir a capacidade de imitação dos jovens canários que o ouvem, isto para o  caso do criador pretender que os novos canários não imitem  outros modelos que eventualmente oiçam. É  fácil compreender a ação estimuladora dos sons sobre as vias auditivas do canto, posto que, de não  existirem os ditos estímulos, as referidas vias se atrofiam  de igual modo  que uma  pessoa surda  atrofia os centros  e  vias neurológicas da fala o que  nunca lhes proporcionam falar  corretamente.


4.   A  excessiva exposição a sons como o  uso do rádio  de forma continuada ou aprendizagem em conjunto com um número importante de jovens canário  juntos  poderá pôr em  marcha processos de seleção  na  atenção dos jovens canários  para a imitação, aceitando uns modelos e recusando  outros. Isso poderia explicar a rica diversidade de sons e canções encontrados em pássaros cantores, tanto em ambiente natural como em  cativeiro.


CONCLUSÕES


Se bem que existem  muitas  questões relacionadas com a  aprendizagem dos canários cantores, que permanecem abertas a estudos e experiências, podemos estabelecer as seguintes conclusões:


As  características de faculdades e timbre de voz, por dependerem fundamentalmente da formação anatómica do órgão fonatório do canário, podem estar  determinadas em grande parte pelo genótipo.


A  partitura musical ou  canção do canário forma parte do fenótipo deste e, consequentemente, resulta da interação do genótipo com o  meio ambiente, em seu sentido mais amplo.


Ainda que os canários conservem a capacidade de aprender novas sílabas durante todo o ano, é  durante a fase de canção plástica o "período crítico" da aprendizagem quando mais capacidade tem, em consequência, do encurtamento deste período, acelera-se a maturidade sexual mediante o enjaulamento (colocação nas gaiolas de canto) individual precoce ou aporte excessivo de testosterona, o que poderá conduzir a uma pobreza silábica da canção.


Desconhecemos muitos fatores meio ambientais que podem influenciar a  aprendizagem do canto, como aspeto concreto do fenótipo que é, podendo-se agrupar estes em dois,  aqueles que se relacionam com estímulos auditivos que puderem ou não servir de modelo e aqueles que se relacionam com a disponibilidade de níveis ótimos de testosterona.


Não é aceite  de uma  forma geral que aprender com  professor se consiga uma canção com maior riqueza silábica nem com mais musicalidade, ainda que esteja claro que os jovens canários  cantem como os  pais, dada   a sua  capacidade de imitação. O aprender sem  professor parece que se poderá conseguir uma  canção com, tanta riqueza silábica e  musicalidade como com  professor, ajuda-lhe a conseguir novos floreios e canções  que são  reflexo de um genótipo adequado, permitindo uma seleção genética mais acertada, conseguindo  uma maior capacidade de improviso, ainda que existe maior risco da canção ser de pouco valor e com defeitos na execução do canto. Não haverá inconveniente em usar professor numa  linha, quando esta já  esteja fixada.


Tradução: Diogo Santana


Por : Vicente Jerez Gómez Coronado

Fonte: http://timbradosdiogosantana.blogspot.com.br/2012/05/aprendizagem-do-canto-no-canario.html